quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Um Time de Dois


Após me acidentar, tive que aprender a lidar com novos sentimentos, dores, novos caminhos...
Descobri no baskete adaptado uma nova forma de lazer, prazer e... o melhor: o suor da disputa tinha voltado.
Quem me conhece de pequeno, sabe que nunca fui um exemplo de esportista. Meus amigos diziam que eu corria com o freio de mão puxado, não sabia "jimbrar"(driblar) nem no futebol nem no baskete, era falta de velocidade pura! Mas, compensava com o raciocínio e principalmente, com a vontade!
Nunca era deixado de lado ou escolhido para ir no gol.
Quando era eu que escolhia, procurava colocar no meu time os mais fracos. O prazer de fazer um gol ou uma cesta em cima dos melhores era demais. Acho que é coisa de corinthiano,rsrsrsrs.
No futvolei, jogava aos domingos com a turma do meu pai. Aí era uma coisa de louco, escolhia o Ruy (cego de um olho) e o Tão (tem a perna esquerda no lugar da direita e vice-versa). Quando ganhávamos era especial demais!
Certa vez, disputávamos o regional (Olimpíadas das cidades da região) eu e o meu irmão Sandro, ele estava bem acima do peso, completamente fora dos padrões dos atletas daquele esporte. Quando os adversários iam para o saque, a gente ouvia a torcida rival "Saca no gordinho, no gordinho!!". Aquilo foi nos agigantando de uma maneira, olhava nos olhos do meu irmão e via um guerreiro, um monstro. Parecia que tinha uns três metros de altura. Foi espetacular!! Ganhamos o jogo, a torcida rival e sem dúvidas um dia para entrar para nossa história. Lembramos desse jogo com lágrimas nos olhos.
Coisas que só o esporte pode proporcionar....

Mas ontem, foi o tiro de misericórdia....eu e o incansável Wanderlei (incansável porque o cara luta pelo baskete há mais de 10 anos), só nós e mais ninguém. A quadra escura, meus pneus murchos, uma bola tão redonda quanto uma mexerica (devem pensar "que joguem com essa mesmo, já que são todos fudidos, a bola é o de menos...")
Não conseguimos na nossa cidade, o apoio de ninguém, nem sequer uma lista com nomes de deficientes nos passam.
Ontem o tesão pelo baskete, morreu!